MANIFESTO MAOU: RESISTIR para EXISTIR e registrar. Pelo direito de fazer história.

Publicado: 28 de dezembro de 2011 em Uncategorized

Tempos modernos. A especulação imobiliária “evoluiu” para o canibalismo imobiliário. Essa criatura, híbrida da ganância e da insensatez, é dotada de um apetite voraz. Devora as entranhas de milhares de histórias, infinitos horizontes e espetaculares paisagens.

Os custos do empilhamento humano e do adensamento urbano são sempre compartilhados com os condenados, vítimas do extermínio acelerado do mínimo que nos resta de uma agonizante qualidade de vida. Em contrapartida os lucros acumulados com essa política predatória, invariavelmente, são concentrados em poucas mãos. Naquelas que, abastecidas com o capital, fogem dos congestionamentos das vias térreas pelas vias aéreas. Se refugiam em paraísos privativos protegidos por toda a segurança que o dinheiro pode comprar. E nós pagamos o pato, os gatos e os ratos de injustiças que não são baratas.

O Coletivo 132 é constituído por artistas (urbanos/humanos) cujos trabalhos são internacionalmente reconhecidos que, há mais de três anos, compartilham o mesmo número da Rua Nilo (a dois passos do Paraíso/Metrô – SP – Brasil) e desenvolvem, movidos pelos princípios da paz e da sutentabilidade, um trabalho originado e destinado a um coletivo.

Este espaço, em sua curta existência, já recebeu mais de uma centena de artistas do Brasil e do mundo. Serviu, como não poderia deixar de ser, de cenário para troca de experiências, vivências, reflexões e amadurecimento de projetos voltados à valorização da arte como instrumento de evolução, transformação e resgate de cidadãos que, involuntariamente, são marginalizados por um modelo cruel, competitivo e individualista, gerador contumaz de vítimas anônimas.

O número 132 da rua Nilo, assim como quase duas dezenas de residências da mesma quadra, entrou para o cardápio de Natal da besta-fera. A resistência da(o) proprietária(o) do imóvel 132 deu uma sobrevida aos sonhos e aos projetos do coletivo que alugava a residência. A data limite para a entrega do imóvel foi definida pela Incorporadora Teixeira Duarte para o dia 30 de dezembro.

Cientes que a existência daquele conjunto de casas está com os dias contados diversos artistas da França, Austrália, Argentina, São Paulo e de muitos outros estados brasileiros, de passagem pela capital paulista, fizeram questão de deixar um registro nas inúmeras paredes, impregnadas de antigas histórias que, sem o veredicto de um júri popular, estão condenadas a serem transformadas em entulho.

Esta movimentação (combustão artística espontânea) gerou em poucos dias nos interiores e exteriores dos condenados imóveis um patrimônio que merece ser registrado, estudado e, não importa em qual tipo de suporte, na medida do possível, eternizado.

Reivindicamos, portanto, uma dilatação do prazo de permanência das obras, dos artistas, pesquisadores, jornalistas, críticos e historiadores naquele local. Antes que as margens do Nilo sejam inundadas por novas, estranhas e efêmeras “catedrais”.

Este prazo estendido para a desocupação dos imóveis é fundamental para que possamos levar a cabo esse trabalho de registro destas manifestações artísticas, bem como, desde que haja disposição por parte dos antigos moradores, registrarmos também alguns fragmentos de suas histórias. Sabemos que os novos ocupantes do futuro empreendimento imobiliário não são vítimas de remoção de periféricas áreas de risco. Nem mesmo são alguns dos incontáveis hóspedes dos baixos de pontes e viadutos urbanos da Paulicéia esgotada. Tampouco, é certo, será o palco do jogo de abertura do mundial de futebol 2014. Menos ainda, pelo pouco que sabemos, a futura obra abrigará creches para atender milhares de crianças que dependem desse tipo de equipamento. Então, assim sendo, tamanha urgência em acelerar as obras, não se justifica, senão pelo imediatismo predatório da multiplicação dos cifrões.

In-cômodo(s) e incomodados …Eu era feliz e não sabia?!?!?!
Se festas ocasionais promovidas pelos artistas (moradores eventuais e/ou fixos) do 132 da Rua Nilo incomodaram alguns vizinhos só nos resta lamentar pelos transtornos. Esperamos que doravante a sinfonia das britadeiras, betoneiras e todos os instrumentos que compõem as orquestras que executam “grandes obras clássicas” mereçam a mesma tolerância por parte dos que não poupam esforços para manifestar suas indignações com as alegrias alheias. Esperamos ainda que os novos vizinhos, cada um com seu veículo, não congestionem ainda mais as outrora pacatas ruas, afluentes e delta, do grande rio que já testemunhou muitas primaveras.

A cidade muda.
O cidadão cala.
A especulação escala.
A natureza grita.
E o tempo???

URGE…. R E A J A ! ! ! ! !

VENHA RE-EXISTIR COM A GENTE!!!

MAOU – Movimento Artístico de Ocupação Urbana... e quem mais vier.

 

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comentários
  1. Pitiu Bomfin disse:

    Olá Moisés, recebi o convite para participar desta página e lendo este texto do coletivo132 percebo o quanto voce tem razão sobre a necessidade dos encontros; sejam virtuais ou de ação mesmo no espaço publico. A semelhança, ou a repetição de atitudes que afetam/prejudicam o cotidiano das pessoas são sistemáticos. Sim, como no caso falado aí no texto, vários atores são envolvidos neste cenário de derrubar casas e erguer prédios. Para nós, artistas, essa identificação de olhar é muito importante , pois fortalece nosso papel de críticos, certifica nossa percepção seja em SP ou São José dos Campos, onde moro. Essas trocas, leituras, nos fazem importante referência para identificação e podemos aprender na ação do outro uma maneira já experimentada de atuar.Vivemos aqui uma situação similar em larga escala, a cidade vem se transformando rapidamente e gerando bloqueios de passagens pra todo lado, empurrando os moradores sem condições financeiras de bancar esta nova urbanidade para uma periferia cada vez mais periférica, distante e isolada do convívio da cidade. Nosso grupo, núcleo, tem como um dos focos de atuação urbana justamente ampliar o espaço da arte na cena urbana e questionar, ou levar sementes de indagações sobre essas mudanças, tentar expor o já visto de uma maneira deslocada, permitindo assim um novo olhar sobre a mesmice. Por isso é ótimo saber de outras experiências, semelhantes, idênticas, diferentes, iniciadas, acabadas, tanto faz. Deixo nosso site abaixo para quem quiser conhecer um pouco do nosso trabalho por aqui. Abraçooooo. Obrigada. Pitiu.

“O M.A.O.U-Movimento Artístico de Ocupação Urbana agradece sua manifestação. Sua participação é importante para que os produtores culturais do movimento conheçam os anseios da sociedade”.

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